domingo, 12 de agosto de 2012

Agradecê-lo ou Agradecer-lhe?


Agradecê-lo ou agradecer-lhe? Estamos, pois, diante de um fato linguístico o qual nos convida a expressar todo conhecimento do qual dispomos acerca da regência verbal. Ora, quando nela falamos, estamos fazendo referência à relação estabelecida entre os verbos e seus respectivos complementos. Mas como se dá essa relação?
No intuito de melhor esclarecermos tal afirmativa, pensemos na possibilidade de que determinados verbos não subsistem sozinhos, ou seja, para serem completos necessitam de estar acompanhados de outro termo. Vejamos:
Entregamos as encomendas.
Constatamos que “as encomendas” representa o complemento do verbo em questão, que no caso é “entregar”. Outro aspecto ao qual devemos estar atentos é que essa complementação se deu sem o intermédio de outra palavra – razão esta que nos faz remeter à ideia de objeto direto.
Mas se o discurso se prolongar, o emissor poderia optar por dizer mais ou menos assim:
Entregamos as encomendas aos clientes.
Aí sim, a outra “parte” se revela intermediada por uma preposição, haja vista que o verbo entregar é regido por um objeto direto (complemento de coisa) e por um objeto indireto (complemento de pessoa).
Assim, tendo em vista que representando esses tais complementos figuram-se alguns pronomes oblíquos, ora fazendo o papel de objeto direto, ora de indireto, analisemos:
Quem agradece não agradece alguém, mas sim a alguém.
Dessa forma, por que utilizamos o pronome oblíquo “lo”, o qual ocupa sempre a função de objeto direto, se o verbo, como já expresso, é regido por um complemento que requer o uso da preposição? Partindo desse pressuposto, podemos concluir que a forma correta, nesse caso, se define poragradecer-lhe, pois o “lhe” ocupará a função de objeto indireto, somente.

A relação transitividade x sentido referente a alguns verbos

Ao nos referirmos à transitividade de um verbo, enfatizamos acerca de uma característica que lhe é intrínseca: o fato de ser considerado nocional, ou seja, aquele que exprime processos, revelando desta forma uma ação, fenômeno natural, desejo, atividade mental. Como expresso nos exemplos subsequentes:


Além de tal característica, há ainda outro aspecto um tanto quanto pertinente – o sentido expresso pelo verbo possui por si só uma ideia completa, ou prescinde de algo para conferir-lhe sentido? 
O presente questionamento faz referência ao fato de que determinados verbos possuem sentido completo, como é o caso do primeiro exemplo. Caso disséssemos somente assim: “meus primos partiram”, perceberíamos que o discurso se mostra perfeitamente claro aos olhos do interlocutor. Defrontamo-nos, portanto, com um verbo intransitivo, isto é, sua ação não transita.

Diferentemente ocorreria ao analisarmos o segundo e terceiro exemplos, haja vista que os verbos que assim os representam necessitam de complementos, ora denominados de transitivos, cuja ação transita entre o complemento de forma direta – Analisamos todos os relatórios -, ou de forma indireta, ou seja, por meio de uma preposição – Todos gostaram muito do passeio. 

Tais pressupostos subsidiaram-nos no intento de compreendemos melhor como se efetiva a transitividade verbal. Entretanto, focalizaremos de forma específica acerca de uma ocorrência que a ela se relaciona: casos em que a mudança de transitividade de alguns verbos incide de igual forma no significado revelado por estes. Eis que são: 

a) Agradar, no sentido de “acariciar”, “fazer carinho”, classifica-se como transitivo direto. 
Ex: Quando ausente, sente falta de agradar os filhos/ Quando ausente, sente falta de agradá-los. 

Revelado pelo sentido de ser “agradável a”, “satisfazer”, “causar agrado a”, classifica-se como transitivo indireto.Ex: A apresentação agradou a todos os convidados. 

b) Assistir, no sentido de “ajudar”, “prestar assistência”, é transitivo direto.
Ex: Assisti a idosa ao atravessar o sinal. 

No sentido de ver, presenciar, classifica-se como transitivo indireto. 
Ex: Assistimos a todos os jogos deste último mundial. 

c) O verbo aspirar denotando “sorver”, “inalar”, é transitivo direto.
Ex: Na loja, a cliente aspirou todas as fragrâncias.

Quando revelado pelo sentido de “almejar’’, “pretender”, assume a posição de transitivo indireto. 
Ex: Aquele antigo funcionário aspirava a um cargo mais elevado. 

d) Chamar, revelado pelo sentido de “convocar”, “solicitar a presença ou a atenção de”, classifica-se como transitivo direto. 
Ex: Por várias vezes, a instituição chamou os candidatos classificados para tomarem posse/ Por várias vezes, a instituição chamou-os para tomarem posse. 

No sentido de “denominar”, “tachar”, tanto pode ser transitivo direto quanto indireto.Exemplos: 

Todos os colegas chamavam a menina gordinha/ Todos os colegas chamavam-na.

Todos os colegas chamaram a menina de gordinha/ Todos os colegas chamaram-lhe de gordinha. 

e) Implicar, revelando o sentido de “ter como consequência”, “acarretar em algo”, revela-se como transitivo direto. 
Ex: A mudança de transitividade verbal implica a mudança de significado. 

Quando expresso pelo sentido de “ter implicância, “embirrar”, classifica-se como transitivo indireto.
Ex: Nossa! Não vejo o porquê de eles implicarem tanto com você. 

f) O verbo proceder, no sentido de “fazer sentido”, “ter fundamento”, classifica-se como intransitivo. 
Ex: Tais discussões realmente não procedem. 

Quando expresso no sentido de “provir”, “originar-se”, classifica-se como transitivo indireto, regido pela preposição “de”.
Ex: Esta arrogância procede da má convivência familiar. 

Quando revelado pelo sentido de “dar início”, “realizar”, é também transitivo indireto: 
Ex: Hoje o diretor procedeu à convocação de todos os alunos.

g) Querer, no sentido de “desejar”, “ter vontade de”, classifica-se como transitivo direto. 
Ex: Muita paz, é somente o que queremos. 

Expresso pelo sentido de “estimar”, “ter afeição a algo ou a alguém”, é transitivo indireto.
Ex: Todos se despediram do amigo que muito lhes queria bem. 

h) Visar, no sentido de “mirar”, “pôr visto”, “rubricar”, classifica-se como transitivo direto. 
Ex: Foi necessário que o gerente visasse o cheque. 

Quando revelado pelo sentido de “ter em vista”, “objetivar”, é transitivo indireto. 
Ex: As decisões conquistadas durante a reunião visavam à melhoria de salários.

Fonte:http://www.portugues.com.br/gramatica/a-relacao-transitividade-x-sentido-referente-alguns-verbos-.html

A disposição das palavras na língua portuguesa


empre que nos propomos a descrever acerca de um determinado fato linguístico, servimo-nos de alguns exemplos, haja vista que tal procedimento parece facilitar ainda mais nossa compreensão. Dessa forma, analisemos o que se apresenta demarcado abaixo:
O aluno respondeu à questão calmamente.
No que diz respeito à ordem como se encontram dispostos os elementos que compõem a oração, temos, respectivamente:
Sujeito – o aluno
Respondeu à questão – predicado
Calmamente – complemento
Inferimos tratar-se do que chamamos de ordem direta das palavras.
Contudo,caso resolvêssemos mudar tal ordem, obteríamos como resultado:
Calmamente, o aluno respondeu à questão.
O aluno, calmamente, respondeu à questão.
Constatamos que a ordem, uma vez alterada, em nada modificou o sentido do discurso, da mensagem.
Tal fato significa dizer que a língua que falamos nos oferece uma gama de possibilidades, de modo a efetivarmos nossas intenções comunicativas da melhor forma possível. Nesse sentido, cabe afirmar que por se tratar de uma diversidade de colocações, não significa admitir que podemos fazer uso delas a esmo, de qualquer maneira. Ao contrário, há alguns princípios básicos de colocação que regulamentam o bom uso que devemos fazer do idioma que falamos, estando eles relacionados a alguns aspectos, tais como:
* Harmonia da frase;
* Clareza do significado;
* Expressividade ou efeitos estilísticos.
Assim, com base em tais pressupostos, analisemos algumas das colocações de que falamos anteriormente:
Colocação e harmonia
Partindo do princípio de que as palavras das quais fazemos uso resultam da combinação de sons, não raras são as vezes que, ao pronunciá-las, o som produzido não se perfaz de uma boa qualidade.
Ele não entregará-me a encomenda.(Constatamos que o uso da ênclise, em se tratando desse caso, além de não ser permitida, ainda provocou um som não muito agradável, em virtude da junção do verbo com o pronome oblíquo).
Assim, no intuito de promovermos essa harmonia sonora, reiteramos:
Ele não me entregará a encomenda.
Colocação e expressividade
Não raro ocorre que, em virtude do efeito que o emissor deseja causar mediante o discurso que profere, opta por conferir mais expressividade às palavras. Assim, dependendo da colocação em que se encontram dispostas as palavras, o sentido a elas atribuído passa a adquirir conotações distintas, como é o que ocorre em:
Você é um grande homem.
Você é um homem grande.
Constatamos que a simples colocação do adjetivo confere ao discurso intenções comunicativas distintas.
Colocação e clareza
Dependendo da colocação em que se encontram demarcadas as palavras num determinado enunciado, a clareza do discurso poderá ficar completamente prejudicada. Tal fato resulta num fator de não textualidade, ora denominado de ambiguidade. Assim, para que possamos conferir acerca de tal ocorrência, analisemos o enunciado abaixo:
O carro atropelou uma pessoa correndo pela calçada.
Não sabemos ao certo se quem estava correndo era a pessoa que foi atropelada ou se foi o carro. Em razão desse aspecto, retifiquemos o enunciado, de modo a torná-lo claro:
Correndo pela avenida, o carro atropelou uma pessoa.
Colocação e significado
Uma mesma palavra, a depender do contexto em que se encontra expressa, pode revelar sentidos também distintos, como é o ocorre nos dois enunciados que seguem:
Ela não lhe revelou segredo algum. (sentido negativo)
Ela lhe revelou algum segredo? (sentido positivo)

A concordância referente a casos de sujeito composto


Ao nos referirmos à concordância verbal, a priori, constatamos que os termos essenciais da oração, ora representado pelo sujeito e predicado, se apresentam ligados entre si por meio de um verbo, e que este concorda com o sujeito em número e pessoa.

Constatação extremamente plausível. Contudo, há que se mencionar que o elemento em discussão (a concordância) configura como um dos mais complexos, o qual integra a parte da gramática relacionada à sintaxe. Diante disso, tal complexidade logo nos remete à ideia de algumas regras e, sobretudo de algumas exceções, obviamente. Partindo dessa premissa, ater-nos- emos a alguns casos representativos, desta feita, àqueles relacionados ao sujeito composto. Eis que são:

# Sujeitos compostos por núcleos sinônimos – Diante de tal ocorrência, o verbo tanto pode permanecer no singular ou ser pluralizado. Exemplos:

Carinho e dedicação caracteriza o perfil materno.
Carinho e dedicação caracterizam o perfil materno.

# Núcleos dispostos em gradação – Quando o sujeito composto for constituído por núcleos dispostos em gradação, o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer no plural. Exemplos:

Dias, horas, minuto, segundo parecem intermináveis à sua espera.
Dias, horas, minuto, segundo parece interminável à sua espera. 

# Núcleos formados pelos termos “ou” e “nem” – Mediante tal aspecto, se a declaração contida no predicado puder se atribuir a todos os núcleos, o verbo permanece no plural. Se esta se referir a somente um deles, ou seja, se forem excludentes, o verbo permanecerá no singular. Exemplos:

Você ou sua irmã poderão ser vencedoras na competição.
Nas eleições estudantis, o diretor ou o secretário será escolhido.


Fonte:http://www.portugues.com.br/gramatica/a-concordancia-referente-casos-sujeito-composto.html

Adjetivo ou Advérbio?


Adjetivo ou advérbio? Eis aí dois importantes elementos que compõem as chamadas classes gramaticais, mas que, no entanto, em se tratando de algumas colocações, representam aquelas incorreções que às vezes cometemos – infringindo, portanto, as leis regidas pela gramática.
Seguindo essa linha de raciocínio, atenhamo-nos ao enunciado:
Discreto, ele saiu da festa.
Quando analisada, tal enunciação nos remete a um questionamento de cunho relevante: seria “ele” discreto ou seria essa a forma como ele saiu da festa?
Para responder a essa pergunta, que tal retomarmos o conceito de advérbio?
Esta classe conceitua-se como a palavra que modifica o verbo, o adjetivo e o próprio advérbio. Dessa forma, o enunciado em questão necessita ser reformulado, uma vez que, por se tratar da forma como ele deixou a festa, o correto é o uso do advérbio, e não do adjetivo. Nesse sentido, temos:
Discretamente, ele deixou a festa.
Sim, haja vista que o advérbio (discretamente) modifica o verbo sair.
Chegamos, então, ao ápice de nossa discussão: quando usamos adjetivo e quando usamos o advérbio? Conclusão efetivamente comprovada.
Contudo, há alguns casos, porém raros, nos quais o adjetivo pode ser usado no lugar do advérbio, sem que esse (o advérbio) perca a qualidade. Mediante tal ocorrência afirmamos se tratar de uma derivação imprópria – manifestada pela mudança de uma dada classe gramatical para outra. Assim sendo, vejamo-los:
Bastante conhecida por nós, há uma propaganda de cerveja, a qual nos diz: “A cerveja que desce redondo”.
Redondo, neste caso, é o modo como a cerveja desce
Redondo, neste caso, é o modo como a cerveja desce.
A princípio poderíamos até pensar que o adjetivo deveria concordar com o substantivo “cerveja”. Contudo, nesse caso não é a cerveja que desce redondo, mas sim o modo como ela desce. Logo, constatamos que um adjetivo faz o papel de advérbio.


Fonte:http://www.portugues.com.br/gramatica/adjetivo-ou-adverbio.html

Monossílabos tônicos e átonos


Os monossílabos tônicos e átonos recebem tal classificação em virtude da intensidade em que são pronunciados. Sendo assim, por fazerem parte do nosso cotidiano linguístico, bem como pelo fato de constituírem parte integrante dos estudos gramaticais, ocupemo-nos a partir de agora em compreender acerca das características que os demarcam.
A começar pelos tônicos, eles assim se classificam pelo fato de possuírem autonomia fonética, ou seja, não necessitam se apoiar em outro vocábulo para demonstrar valor fonético.
Dessa forma, tendo em vista as regras de acentuação, das quais já temos certo conhecimento, vale dizer que aqueles que os representam são terminados em:
-a(s): há, chá, pá, cá, lá...
-e(s): dê, lê, ré, pé, vê...
-o(s): nó, dó, pôs, só, nós...
Os monossílabos considerados como átonos não possuem essa autonomia fonética, sendo necessário se apoiarem em sílabas de vocábulos posteriores, fato que faz prevalecer mais o som desta (silabado vocábulo posterior) do que daquela (monossílabo átono).
A título de constarmos, analisemos um exemplo:
“Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor”.
Constatamos que os monossílabos que se encontram (que, em e de) em destaque realmente não apresentam o mesmo aspecto que os tônicos (a autonomia fonética). Portanto, são exemplos de tal modalidade:
o (s), a (s), me, te, se, lhe, nos, de, em, que, etc.
Observações dignas de menção:
- Os monossílabos podem se definir como tônicos em um determinado enunciado e átonos em outro. Vejamos, pois:
Você está assim por quê? (tônico)
que há de errado com você? (átono)
- Em virtude do aspecto que os monossílabos apresentam, eles se consideram como palavras destituídas de sentido, sendo representados pelas conjunções, artigos, preposições e pronomes oblíquos. Constatemos alguns exemplos:
Seus segredos sei de cor. (preposição)
Olhou-me rapidamente. (pronome oblíquo)


Verbos ligados a pronomes oblíquos: acentuados e não acentuados


Você dispõe de uma diversidade de conhecimentos acerca dos aspectos que norteiam a língua portuguesa. Assim, para fixá-los, você pode aplicar tais conhecimentos em muitas situações comunicativas cotidianas.

Partindo desse princípio, elegemos apenas um conteúdo que pode ser aperfeiçoado quando praticado: os verbos, acentuados e não acentuados, ligados a pronomes oblíquos. Dessa forma, a título de ilustração, alguns exemplos nos dão conta de que se trata de uma realidade linguística recorrente. Veja:

DISTINGUI-LO
ATRIBUÍ-LO
DEVOLVÊ-LO
DISTRIBUÍ-LO
AMÁ-LO
CONCLUÍ-LO
REVÊ-LO
TRADUZI-LO
REPRODUZI-LO...
Constatamos que algumas formas verbais se manifestaram constituídas do acento gráfico e outras não. Pois bem, prossigamos nossa discussão, sobretudo dando ênfase aos critérios de divisão silábica, de forma a separá-las adequadamente, tendo em vista que o pronome “lo”, uma vez atuando como complemento de tais formas, não participa do procedimento em questão, sendo deixado em segundo plano (aqui demarcado pelas reticências). Vejamos, pois:
DIS ─ TIN – GUI ...
A – TRI – BU – Í ...
DE – VOL – VÊ ...
DIS – TRI – BU ─  Í...
A – MÁ...
CON – CLU – Í ...
RE – VÊ...
TRA – DU – ZI...
RE – PRO – DU – ZI...

Façamos agora uma retomada dos pressupostos inerentes às regras de acentuação, partindo dos exemplos anteriormente citados:
DE – VOL – VÊ

RE – VÊ          →   Todas as palavras oxítonas terminadas
A – MÁ                     em “a”, “e”, “o” e “em”, seguidas ou             
                                 não de “s”, são acentuadas.

CON – CLU – Í

DIS – TRI – BU ─ Í   → Acentua-se o “u” e o “i” tônicos do
A – TRI – BU – Í         hiato quando isolados na sílaba ou
                                      acompanhados de “s”.         
A – TRI – BU – Í


As demais TRA – DU – ZI /RE – PRO – DU – ZI e DIS - TIN – GUI, como podemos detectar, não são acentuadas, por isso não nos remetem a nenhum desses preceitos antes mencionados.